Com os estilhaços deste tempo
que espoca o incrédulo,
o obtuso, a falta de luar,
quero para o meu coração
a servência acolhedora
de um banco de jardim
nos abraços a vários mundos.

No abandono dos intervalos
da solidão da minha madeira,
que a praça cativa,  refazer-me
de cada pássaro,
de seus excrementos,
de cada celular amouco,
de seus cantos desgarrados,
de cada passo sem olhos que atravessam
as próprias vidas de cada desgraçado
que sobre mim dorme,
ao manto testemunhal da noite
que deverá ser mais um nada
no desvario do próximo amanhecer.

BANCO DE JARDIM

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