11.

Névoas no sentimento
quando a noite já vai alta.

Procuro lembrar tempos
em que sorria com você
e não havia esta dor que me salta.

Como não querendo entender
que descaminhos existem,
não tenho outra saída
senão pedir-lhe perdão
por sentir tanto sua falta.

3.

Quando penso em ti,
lembro a figura de um pássaro azul,
celebrando a vida com seu gorgeio.

E assim, voas e me carregas junto.
Vamos até a mais alta montanha,
entre escarpas perigosas,
e me tiras qualquer receio.

E percebo a verdade única,
que teu olhar de silêncio
murmura: que o teu amor
é o meu esteio.

Depois, pousas em meu colo
e me tocas levemente,
e o mundo se aninha como criança
na doçura do teu seio.

6

Se te peço que venhas,
não fiques no inverno.
Chegue até meu jardim
e vejas minhas mãos
pedir-te flores.

Se te peço que venhas,
não desejes a noite,
imagine minha dor,
filha pródiga,
esperar-te o pouso.

Se te peço que venhas,
não ponhas roupa nova.
Espero na sanha do dia,
fuga de sonhos,
ver-te inteira.

Se te peço que venhas,
não roubes a rosa.
Deixe que eu te perfume
na saia da madrugada
quando chegares.

Se te peço que venhas,
não digas nada.
Deixe meus versos
receber-te, cálida,
funda e serena.

Se te peço que venhas,
deixo-me por um instante.
Só voltarei a existir
quando aqui estiveres.
Linda e bem-vinda.

2

O que é afinal, este amor
que a cada dia que passa
ao meu coração proclama?

De onde veio, onde brotou?
Numa noite de chuva
ou foi quando o seu se estrelou?

Veio pela colina do tempo
ou escorreu por esta solidão
de que tanto reclamo?

Apareceu em mim
ou nasceu aqui mesmo
num verso que nunca declamo?

Não é necessário resposta
quanto me sinto feliz
com essa lágrima que derramo;

mesmo não sabendo de onde veio,
o vento afasta qualquer dúvida
quando penso que te amo.