Para minha família, que primeiro alicerçou e depois construiu um jardim em minha vida.







Para este oásis no coração de Ribeirão Preto: a Biblioteca Padre Euclides.

E, principalmente aos companheiros que nela buscam a devida proteção contra a mediocridade que grassa em nossos dias.

A esses amigos, ávidos pelo pensamento, também dedico este livro.







“Sei que canto. E a canção é tudo.”

CECÍLIA MEIRELES

PREFÁCIO

Salmo 18-10 – “sim, levado velozmente nas asas do vento!”

O título – Colheita dos ventos – já é, por si, significativo. Não há necessidade para se chegar a esta conclusão. O autor, caminheiro foi até por sustados ter os seus passos, inopinadamente. É óbvio que nas suas andanças recolheu do mundo, com sofreguidão, músicas e gritos, imagens e simulacros, perfumes e odores… Gravou na retina aspectos multíplices, variados, copiosos. A validade superior, contudo, à pressa, não contou a com disciplina acadêmica. Todavia, sobrestado o seu caminhar, por entender que as questões de repouso deixam de ser autonômicas, não tipificando nem mesmo a sedentariedade.

Há mais de um século, as teses sobre economia e o naturalismo defendido pelas ideologias políticas avassalaram as transcendências em geral, considerando um condicionamento material como razão determinante das atividades do espírito, propondo inclusive um repouso para as superestruturas transcendentes não mais terem autonomia própria. Esquecem, entretanto, que a economia, bem como o naturalismo, também se definem pelos predicados:

– a proposição essencial, prima, indispensável, necessária, importante, com existência e substância – TRANSCENDENTES!

O autor, Alfredo Rossetti, não se deixou submeter pelas realidades múltiplas do mundo atual, nem paga vassalagem aos “modernos senhores feudais”…

Pega de sua vivência e, além de outros, escreve Meu jeitão:

Não quero ser lírico. Nem poeta louco.

Nem ter a desafiante bandeira do moderno.

Ou contemporâneo de qualquer coisa que seja

definitiva ou que jogue no lixo

minhas precárias genialidades

ou minhas amarguras de amor.

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Quero minha poesia aviada, prescrita

pelo universo interior. Um canto convalescente.

Prefiro assim, horas certas.

Em gotas.


Caligrafa” DIA DE CHUVA, EM BUSCA DO VERSO, depois HAI-KAI, Instantes em campos guilherminos. Escreve, escreve… sua própria filosofia; ensaia uma mitologia nova…

“… tende essencialmente a tornar o homem mais verdadeiramente humano e a manifestar sua grandeza original, fazendo-o participar de tudo o que pode enriquecer na natureza e na história” (J. Maritan)

Segundo Scheler, Alfredo dilatou-se no mundo; ora concentra o mundo em si.

Destarte, Colheita dos ventos é a força criadora, a expressão lídima do HUMANISMO do autor!


Ribeirão Preto, 15 de abril de 2008, às 23 horas.


Apparício Lara Filho

MEU JEITÃO

Não quero ser lírico. Nem poeta louco.
Nem ter a desafiante bandeira do moderno.
Ou contemporâneo de qualquer coisa
que seja definitiva e que jogue no lixo
minhas precárias genialidades
ou minhas amarguras de amor.

Nem daqueles que brincam de morrer
antes que a vida canse de seus versos.
E muito menos, os outros, que nasceram antes.
Prematuros na forma,
a envelhecer em trincheiras.

Talvez, quem sabe, aceite, por mero acaso,
com um olhar de soslaio,
um terceiro lugar no nenhumismo.

Quero minha poesia aviada, prescrita
pelo universo interior. Um canto convalescente.
Prefiro assim, horas certas.
Em gotas.