mundhoje

1.

a vida arrastada pela correnteza dessa era semovente.  –    sem um sibilo

a confirmar:  os trilhos de ferro  nunca mais se  encontrarão  para amar

2.

o mortal primata

toma o mato

extirpa o curupira

mata a mata

fazdeconta que respira

e expira

na sucata

3.

o mundo velho de guerra

acorda/dorme em guerra

o mundo do reclame:

um mitômano vexame

o novo mundo bytexpandido

cheio de bandidos


sobrou o onde

esteja o onde

onde o onde

se esconde

4.

o fuga-dor é ator

no mundhoje alterna dor

mais que fingidor gera dor

o monitor gera o fuga-dor

5.

só se fala uma fala

a fala mesma

a fala leite

a fala jeans


a fala TreVa trava a fala


a vanifala

afala as bocas

6.

o fast afasta a pausa

o fast afasta o pouso

o fast afasta o gosto

o fast afasta o aposto

7.

SOCIEDADE
SACIEDADE

11.03.2006

hora perdida

passo pela hora igual – não consigo desfiar a canalhice

da velhice da corrupção na minha poesia inimiga


que importa ao cidadão votado

senão que a consciência lhe diga

de manhã à noite

que ética é nunca ser derrotado


essa condição de que nunca há fadiga

nutrida pela pele do lobo pluridentado

protegido pela lei abissal do código superado

que nos enfronha nas mente como intriga


me torna fraco o acordo mutual


permito que essa ambição vocacional siga

enquanto entrelaçada numa rede nacional

minha cidadania me castiga


(mas será que não tenho nada melhor a fazer

do que versos sobre esse imperecível ritual?)


este Brasil é uma porta que me fecha

me desliga

02.02.2006