29.7.20 Croniqueta

 

Descubro, neste outono de minha vida, que o grande inimigo da minha existência foi sempre o misoneísmo. Constato o grande quixote que sou contra este mortal oponente, de garras afiadas e outros quetais. (Ave, Maria! Sossega o facho!)

Se me perguntarem o porquê dessa assombrosa* descoberta somente agora, quase aos 70 deste
meu agora desnudado* vilão, respondo a verdade: não conhecia a palavra.

(* Pode dizer e criticar o quanto quiserem, mas que um adjetivo é uma delícia, ah! isso é! Às vezes, até orgástico!)

Diga lá, camarada Houaiss:

“MISONEÍSMO – aversão ou desconfiança em relação a mudanças; hostilidade para com o novo”

E eu já disse até em poema que “quero coisas novas a cada instante / mesmo que elas tenham mil anos. Pedaço de mim pode ser saudade / mas o resto: susto constante” (Poemeto 12, COLHEITA DOS VENTOS (2008).

Antes tarde que o nunca-nunca.

A luta parece longe de terminar. (Expressão de otimismo. O longe para mim é defesa contra o tempo)

Mas cansa mesmo o tal de misoneísmo. Tem representantes dessa escola (só pra dar um certo grau de respeito, chamar logo de chato é… chato) vive para resistir. Respira um ar meio diferente, já fica de cara feia pro vento. O novo corrompe, segundo eles. Sejam cantores, jogadores de futebol, roupas da moda, vereadores, e tudo o mais. Trocou de mecânico? De dentista, até mesmo de bordel, lá vem o “vixe, sei não.”

Não sei até agora como estão sobrevivendo nesta quarentena e das mudanças advindas de. Com as perspetivas de reformulação no pós, já estão cheio de perebas. Alergia neste caso para eles é mais corriqueiro que a propina brasileira.

É praga esse tal. Nessa onda de conservadorismo que grassa nossas vidas, eles estão à toda. Do Itamaraty ao vestiário do Íbis.

Até no Inferno. Dizem que lá nada mudou desde Dante.

Credo! Até arrepia!