os olhares mudaram
de direção
– agora só nas mãos

no ônibus no namoro
no passo
(laço na atenção)

na vila
olhar na vala
olhar funil

na fila
olhar sem fala

na vida
olhar que perde
da vida
o que arde,
o febril

o celular mudou de rumo de prosa
o celular mudou de poesia

nenhum olho no olho
nenhum cisco no olho

mudou o motivo
da cabeça baixa
mudou o bom dia
o fone de ouvido
mudou o furtivo

o mundo esqueceu
do mundo
no mundo que já dialogou
com a cortina suspiro
que o gestual uniforme
fechou

o homem que não mais pisca
– agora cisca

27.7.14
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