Há que se lutar com a cara
na reação que se posta
ao coração que se impregna
da não rara
fratura exposta.

Há o que se rompe no peito:
o afável desejo instável
que corrompe
na noite de ensejo inefável
da farsa que não se interrompe.

Mas no sufoco há um brilho.
Se guerrilho
dentro do frágil reboco
contra um delírio barroco
na ventura do soco
que nos deixa um trilho.

Há uma paz na vida em guerra
que tudo encerra
e vem fugaz
um doce vento filho da terra
e arrasta o transe que a angústia traz;

e me desencampo
ao repelir o tormento
que estampo
no momento
em que flores do campo
são colhidas em mim pelo sentimento.

28.01.2006

CHISPAS DE ENCANTO

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