Ouvi muitos xingamentos na minha vida. Meus ouvidos escoraram muitos. É bom que se diga que a maioria não foram dirigidos a mim, e sim os ouvi em alguns conflitos presenciados e, na maioria deles, ditos ao léu como forma de desabafo ante situações de futebol e política, na sua maioria.

O mais corriqueiro, claro, é o de atacar a honra da mãe de outrem, com variadas estruturas, como o tradicional e mero filho da puta, ou o passar o filho para o feminino e xingar tanto homem com mulher. Também já ouvi ser usado como filho das ou filho de uma. E até um eufemismo simpático “quem não fizer tal coisa, a mãe não é santa.” Varia ao gosto das bocas, que adoram poder xingar.

Jesus, doce criatura, quando os fariseus passavam da medida (e sempre o faziam), sonorizava um “raça de víboras!”.

Mas eu gostaria de mencionar uns mais inusitados: um amigo de infância que ao sinal de qualquer raiva, lascava um “vai bundar com o Frederico!” Ora, o verbo bundar, um neologismo de primeiríssima classe na criação dos mesmos, pode ser fácil o entendimento. Mas e  o tal Frederico? Algum sentido fálico para um simpático nome. (Tive um grande amigo assim chamado, era juiz de futebol; partiu antes do apito final, saudade.) Durante anos fiquei matutando (coisa de avô) o Frederico inserido neste sem dúvida palavrão, dada a forma vociferada como era exprimido.  Acabei por abandonar a dúvida  e a pesquisa. O tempo passou, não mais ouvi ninguém o utilizar. Sumiu da história.

Agora, tinha um tal de Joecy, que fugiu de sua casa para acompanhar um circo, que além de bom de briga, era um ás do xingamento. O que mais usava era menos raivoso que tantos outros que ouvi, porém gritado de forma sempre enigmática. Em qualquer contenda, lá vinha o Joecy, de alcunha Mister, com o seu formidável “seu cara de onguborutu, feição de bode mocho!” Segundo apurei tinha aprendido com seu pai, um nordestino com muito orgulho do nome que carregava, o seu Virgulino.

25.3.19

CRÔNICA DO DIA

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