para Konstantinos Kaváfis, em memória


Atende tua porta ao chegarem
Os desejos; inclina para o lado
Do corpo que foi atingido.
Não esqueças de acolher bem
Ao que pode ser a tua Ressurreição.
Espalha ramos no teu tapete
Onde teus sentidos pisam.
Sê o humano da superfície
Da pele que te retrata.

Não Represes tuas fantasias
Por nenhum pensamento
Que te doa; solta comportas
Em todos teus poros, risos,
E em lembranças marcadas,

Como a dança dos colmos
Dos trigais que um dia viste.
Não te resguardes da canção

Primeira que veio a ti pela manhã

E que te envolveu como hera
E te acompanhou até o ocaso,

Que julgavas exausto, mas que
Ao se declinar, retratou no céu

Em sorriso lascivo, com o olhar

Da imaginação, uma rosa tímida.

E quando o sono que te aguarda,

Ruborescer ante teu dia completo,

Entrega-te como criança: abre

Teus braços e corre ao âmago
E júbilo das atividades vitais.
Nesta hora, toda tua substância

Precisará de descanso, diferente
Da tua alma que, assim que iniciares

O teu fingimento de morte, te velará.

DIA DE VIDA

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