Sofro por uma crase.

A vírgula que tropeça,

o hífen extinto, os esses

repetidos exaustivamente.

Sofro muito pelo medo

de olhos que hão de vir

completar o que escrevi

com o fármaco de sempre.

Só me livro da gastura

ao ver aquela fotografia

da língua de fora do Einstein,

refrigério, amante confesso.

Aí, reparto a vida ao largo

de lembranças mais felizes:

uma história do Chico Bento,

um lançamento do Gérson.

Até o escudo derreter-se

na eterna trilha de escuros,

conviva sem hora marcada,

com a face de permanente.

31.8.18

DOIS TEMPOS

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