Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Bater de asas.

Acordo do sonho que fui buscar
No domingo de silêncios.
Na casa, na rua, na oficina defronte.
(missa, matinê, guaraná)
Deitado no frio ladrilho vermelho
Do alpendre, avencas e histórias
De guerras saídas das Seleções.
A claridade do Sol.
Um pardal se assusta com o calor
Ou com a quietude? O mundo inteiro

Dorme e eu desafio a Gestapo.
Bater de asas.
Desperto para sons aflitos.

Percebo desapontado
Que não é um pássaro.

Sequer um pássaro preso,
Tão familiar para mim.

Apenas o vento na parede
Faz tremular o calendário;

A folhinha da Família Cristã.
É a minha história que se debate.

 

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DOMINGO ANTES

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