Minha alma é conviva da vida,

desgarrada de quaisquer mortes.

Precisa do ar de que me sirvo,

da dor que me ativa, do som

das calçadas. A minha alma

só mostra do futuro meu medo.

Tudo nela não jaz. Tudo  nela

segue a natureza que me habita.

A minha alma prepara versos

em estado de argila e despeja

em minhas mãos que os tomam.

Depois, vestida de alívio, segue

seu destino de estar atenta

aos meus passos que tropeçarão

nas próximas esquinas e febres.

A minha alma ensina ao meu eu

que a imite, que embole a vida

e a arte num mesmo balaio,

desde que se mantenham longe

palavras que não as diferencie,

as inexatas que dizem nada.

E quando descanso meu corpo,

minha alma sonha com caminhos

e se prepara para escalar etapas

das dúvidas que nasceram antes

da carga que lhe impôs minha vida.

Quando me sente triste, me agrada

e se desvela eterna, companheira

para todo o obscuro do amanhã.

Põe as mãos sobre minha cabeça

e diz para em nada se desacreditar,

que a vida, assim como a poesia,

em suas essências, são mistérios

que elevam o Espírito que nos tem.

A minha alma é o meu travesseiro.

1.6.19

ELA

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