Ao Drummond

Antes de tudo, um sorriso

de criança. Antes de qualquer

verso  que nasça do quadro

na parede. Antes da festa

de interior que vire universal.

Antes de ganhar na loteria,

campeonato encruado,

saída do poema cá dentro,

pular a fogueira da aporia,

e o tudo. Então, antes do tudo,

o sorriso de uma criança,

nasça onde nasça.

Antes de tudo, o sorriso.

Antes do Modigliani,

da Parker 51, do posto

de capitão, gritar “toqueiro-primeiro!”

Enfim,  nada que preceda

o sorriso desdentado

e sedento de ambrosia

de uma criança. É isso,

antes de tudo,
do Gênesis, do Big Bang

e dos dinossauros,
bem antes da fé, o sorriso.
Da criança que, um dia,

já foi o mundo.


21.11.13

IL PRIMO

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