O dia de hoje me estraçalha.
Mais uma vez a dor do que os olhos vêem
traz um céu de palha
na calada tentativa de me anuviar
entre feridas e nós de batalha,
o que significa apenas adormentar,
quando a roda da canção do despertar
em cálidas nuances, migalha.

O dia de hoje é mais que o pânico.
Ao deflagar ordens
da ditadura universal insana
se julga ainda orgânico,
demonstrando véus que da mente flana
por toda a espécie, de todo fato
que se posta satânico,
mas que em máscara de anjo,
recolhe os cacos adiante
da nossa estupefação,
de nosso ralo choro diante
do sorriso torpe do que chama emoção,
no desdém do noticiar tirânico.

O dia de hoje a gente jã não ama.
O carrossel da reiteração de rombos,
doados em toda a história dos dias,
nos dá a liberdade de coexistir
com o que azafama.

Afinal, somos nós que, aos tombos,
escolhemos sair da cama.

JORNAL DA MANHÃ

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