A tarde sente-se, dentro da minha impaciência,

dona do mundo. Fulgor de nuvens

impenetráveis sorriem: solares disposições do tempo

ante nódoas de meus olhos e bailados da angústia

(irmã no rigor de inações remissíveis)

na clausura no brilho do dia interminável.

Reinado da rua em claridade que se torna

dentro de mim, lástima.

A tarde sabe que eu não posso sequer segurar

um ramo de alecrim nas mãos atadas

pela beleza instantânea.

No coração inabitado, falta uma faca de fio norte.

Enraizado na suscetibilidade do vazio.

Na calada existência da chuva, a vontade

de permanecer-me solo. Falível

e eternamente noturno.

MELANCOLIA
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