Escuto a fala da moça

Que explode nas atenções:

Num instante estava vivo

E assim por nada, morto.

Todos os meus sentidos

Perfilam-se babilônicos.

As palavras abarrotam

Minha cabeça de ratos,

Me ensurdecem.

Busco Imaginar o ato, queda?

 

Olho para a rua. Penso

No movimento da Física.

Pela janela, duas mãos

Pequenas comemoram

Um álbum de figurinhas.

Essa dor ausente e rápida

Deita sobre meu ser alívio.

 

Vêm-me jogos de bafo

Sobre ladrilhos vermelhos,

Sombra de verdes avencas.

Conforta-me este antes.

 

Os ratos se evadem.

A surdez definha-se.

O tempo se comprime:

Dá a exatidão dos anos.

 

Um vento resignado entra

E tenta ao rosto o retorno

Na face da persona do dia,

Usada entre rumores de vidas.

 

A moça agora já sorri;

Vive outro instante:

Puxa o cordão e desce

No ponto sem surpresa.

 

Onde a morte, o batom,

E o espelho retirados

Da bolsa, são ofertas

Da vida na mesma bandeja.

 

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NO ÔNIBUS

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