O piano angelita oscila
entre tangível e eldorado.
A mais sensível gota
de existência nos olhos
do artista. Pálpebras que
remetem avisos. Ao íntimo
desconhecido, via mãos
grávidas da entrega.
Ao maestro: cada segundo
deve repelir o estatismo de viver.

Orbitam as retinas em meio
à emoção compartilhada
com centenas de outros olhos
que esteiam os ouvidos da noite.

Noite de música vista, descortinada.
Noite de cena final, lua
da Casa de areia.
Noite de condão, diluvial.
Noite e olhos. Fixos, marejados.
.

NOITE DE NELSON FREIRE

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