A rosa é rosa
de folhas em foma de louros
no panteão de vencedor
ausente de humanidade.

Apenas apara a luz
a iluminar palavras
e cantos obscuros
onde residem universos
de tapagem à poesia
em estado incubador.

Seu copo, bojo de ser,
guarda como adotiva
a lâmpada. Poucos entes
podem concorrer a ter
luz como âmago, congênita
forma de vida a por fim
na escuridão, como essência.

Sustentada pelo barroco
da peça em falto bronze,
emerge como aurora
e desenluta o breu
das teias que pouco
tecem, as opacas.

Raios quando relumeiam
páginas da vida refúlgida
em par com a angústia,
salpicando em fina madrugada
peças de antídotos e desculpas,
o abajur responde pelo seu ato.

Assiste o reinventar da dor,
o cumprimento do rito;
ilumina o que há de ser iluminação
ao anseio de extrair da noite
aquilo que é sentimento e pus
que mesmo tanto não tem plural
que mesmo fossa se abate
ante versos irmãos em cor,
amarelos de tentativas,
espessos de contrição,
habitantes da mesma casa:
a ferida e a analgesia da alma.

Por tudo que é exposto e dói,
o abajur de cerâmica
e a rosa entalhada nele
são encantados como versos
de alforria.
O ABAJUR DE CERÂMICA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *