buscando formas

buscando versos

como os óculos,

sem olhos.

(Silvio Zanatta)

 

Fixo no muro de pedras o outro olhar,

O da fantasia. Vejo rostos disformes/

Mitológicos que deveriam assustar,

Por estarem na posição e essência

De espelhos de labirinto prontos,

A vasculhar o que penso (e vejo)

Enquanto doido na banda em que

Transito a maior parte do tempo.

 

A razão – censora da mente – previne

Serem as pedras colocadas por gente.

Supõe um pedreiro que não tinha tempo

Para carregar um escultor em si:

Sobrepôs pedras como seu ofício

No desejo apenas de sonhar um legado.

(jamais pensaria em desvelar espíritos)

Mas o muro ali está; pequenas manchas

Me repartem entre todas minhas faces.

A janela que sequer se surpreende

Como cúmplice do vagar de substâncias.

Os rostos ali pontificam espectros:

Máscaras que um dia terão vida. Aprumam

Versos de como resistir contra a irrealidade.

Pântanos que tendem a deixar estigmas.

 

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O MURO