No caos da tarde,
na fogueira de palavras soltas,
túmulo das verdades incontestes,
um verso nasce
como uma flor despreparada.

Vem procurando altivez
ao sabor randômico.
Vem auscultando as dores do mundo
e os fitos que o espera,

mas aos poucos torna-se coeso
em sua missão de inserir-se
ao campo do absurdo
onde seus iguais refletem.

Vem como soldado de palha
mas com o tino lírico
e serve no átimo de tempo
que lhe é proporcionado a servir,
antes do repouso à força
em páginas de livros,
em arquivos difusos
como vales de sombras.

Promove o que é de vida:
lágrimas e discordâncias;
vem inteiro poesia
ou frágil broto a debandar;
mas vem
ao mundo como uma rima de arrumação.

(Escatológicos no servir,
o verso e a flor
sorriem ao mundo dos homens
e desaparecem)
O SERVIR FUGAZ

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