Na casa velha da esquina, na janela
embaçada pela dúvida,
um rosto no alto. Dois olhos
que ferem mesmo penumbra,
mesmo sombra.

Raio de medo que me intercorre
como conhecesse os atalhos de meu interior
(moradia da maior parte de minha vida).

Sinto estar nu à procura de um oásis.
O incógnito fere minha pequenez
através do véu (ou de mim mesmo?),
trespassada por agulhas e pregos
que o olhar da janela aponta e julga.

Garrote a me fazer apenas  um molde
de ser humano que exala cheiros;
vulto que da janela expões as vergonhas
que nem me lembro mais,
mas que as sinto,
que as auferi na madrugadas geladas
de minhas embotadas percepções.

Silhueta que ameaça
aquilo que é o desconhecido
dentro de mim para mim mesmo,
o qual não há de rebrotar
depois de tanta culpa apinhada.

Fantasmas a me acompanhar
e dois olhos de mistério
acortinam a minha frágil história,
neste dia que poderia ter sido meu.
O VULTO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *