Poupe-me
das dores do mundo.
Poupe-me
de dores reles
das que querem um também reles analgésico.
Poupe-me
das Das Dores
e seu maldito rosário de ametista (falso)
e sua cara
de eterna cólicas (real).
Poupe-me
dos suores desnecessários
que urgem em avizinhar
quando há notícia
do ócio declarado.
Poupe-me
do dinheiro
e da falta do dinheiro
e dos que gostam muito do dinheiro
e os lanceiros modernos
e seus M.B.As. evaporáveis.
Poupe-me
de tudo que cansa:
à volta, em torno, debaixo das cadeiras,
nas telas dos cantos,
nos crachás, nas pilhas de livros,
dos relógios que ainda querem corda,
do quanta,
das quantas vezes mastigo,
dos sapatos que não mais existem.
Poupe-me
dos presidente dos E.U.A.
e de todos os cretinos que aparecem na TV,
que inundam as favelas
e os quartos de empregadas
de todas as zonas sul
nos quadrantes de viver
em câmaras de ar-condicionados
que vendem sorrisos
(em idioma bárbaro)
inescrupulosos.
Poupe-me.
Mais que nunca das inevitabilidades,
de todas elas, das que tem cheiro
e das outras também. Aliás,
de tudo que é necessário.

A começar por escrever versos.

23.10.2003

ODE À APOSENTADORIA

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