Pelas estreitas ruínas
de minha memória
estão todos os passados,
todos os traçados
da minha história.

O tempo de ontem
carrega cores à lembrança.
O tempo que virá
já vivencia a ansiedade
como herança.

Acontecidos doem menos
do que irá acontecer,
posto serem segundos mortos;
a alma se corrompe
quando não se pode prever.

Na força das manhãs
criamos atalhos
para juntar cacos.
erguer instantes
não sermos retalhos;

na fraqueza da noite
já somos mais que pó,
exigimos menos luta
na evidência da entrega
da essência de ser só.

O ontem e o amanhã
jamais se limpam
e nem sequer se tocam.
Um como par, já foi feito.
O outro, como caos, será ímpar.
ONTEM E AMANHÃ

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