Desenhados em giz,

apagados em giz,

fáceis em giz,

lá vem festejando

o trem daquilo que não é;

nunca será,

não sairá

nem passará pela estação


de quem espera,

de quem suspira,

de quem pode marcar

se marcar ou se redimir

através de um lirismo

que se desbota a cada passo

do que não se move.


Lá vem festejando

o projétil fosco

cheio de gentilezas,

mas ignavo, afebril.


Versos de brancos dentes,

versos que se iludem,

não reativos, vestos,

lá vem festejando

o trem das palavras

vulgocráticas, desistentes

do poder de seu mistério.


– o –

POESIA ANÊMICA

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