Vou para a distância
de um ano do Tejo,
mais de dois do Potomac,
e uns (mais ou menos)
cincoenta do Turvo.

O Tejo, rio e versos,
sangrou meu olhar
de tantas esferas da íris.

O da ponte da foto de jornal,
da televisão, transformando
crianças em passos de altivez,
na subida de Arlington,
aliciou minha memória.

E o Turvo, tantas vezes
cruzado, chorado, ceifador
de vidas virgen, tatuou
em mim a incredulidade
do fim. Em cada um,
um pedaço foi extraído
do meu já parco tempo.

Hoje, levado sem águas,
a cada fala, a cada vômito,
a cada singrar de cremação,
me sinto à sós e seco.

26.11.19

RIOS

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