A minha rua é a rua que ando.
Basta não ter fronteira
e esquinas que aturdem,
aí estará minha rua.

A minha rua é a que meus passos
não tomam posse,
a que me ensina
a não perpetuar o momento.
A minha rua é
a que o tempo não passa por ela.

Ao atravessar para o outro lado da calçada,
a rua que ficou já não é mais a minha rua.
A minha rua agora é a ansiedade de chegar
ao bar ou banca de flores mais próximos,
aonde efetivamente saberei
que jamais terei uma rua que seja minha.

Minha é apenas a poesia
que ouço vir de homens de uma rua
do outro lado de uma cidade de outro lado,
onde nenhuma rua tem dono.
SUBJETIVISMO EM PESSOA

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