Dói-te o viver,
a hora,
o instante?
O cavalo de Troia que abrigas já além da memória?

Dói-te?
a falta de pouso,
de pausa, de pássaros cantantes?
A noite que ceifa teu sono profundo?

Dói-te o não saber
que um mundo outro após a cancela
tem mais sabedoria 
que teus eletrônicos da superfície?

Dói-te a multidão e gritos da tua mente
como míssil que atropela tuas carnes e ossos?
Dói-te tudo isso? A ausência
e a presença do nada digladiando
no teu quintal? Os venenos
em mãos distintas? Dói-te,
de verdade? Teu vácuo de isolamento
que já começas a vivenciar?
Dói-te e não queres a dor?

Então é hora de beber o silêncio
que guardas no coração 
sem dares contas 
que ali repousa à tua espera.

Vá até ele,
pelo caminho interior,
desviando dos desejos menores,
do proto egoísmo que trazes como uma paixão.

Silencia tua vida,
mesmo que por minutos.
Serás conectado a um pomar
com macieiras de frutos e sombras
guardadas para ti
desde quando não havia rastros no Mundo.

1.10.19



Vácuo do isolamento.

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